terça-feira, 6 de dezembro de 2011

pois é.



Enquanto sigo, não escolho por onde passo, vou-me apenas deixando ser,
É só depois de muitas águas passadas, que inclino a cabeça encarando meu busto reto, meu quadril solto... percebo que minhas pernas se movimentam, sou eu quem me carrego, sou eu quem aguenta o peso de minha carcaça estragada.
Com cuidado para não soltar nenhum comentário que transcenda e se perda, pois não posso mais largar pedaços meus,           que agora se tornaram escassos.
Os suspiros cansados do saxofonista tem toda minha atenção. Então não enxergo e perco o resto, que me encara malcriado, porque sabe que não devia ser resto, deveria ser todo, mas não é.

Sortudo aquele que pôs o orgulho de lado e desistiu de tentar entender
Maldito o dia que me fez nascer pela metade,
e percebeu que faltava
Então me recompôs com peças sobressalentes
Sem sequer se dar ao trabalho de pensar
Que no futuro as partes não se entenderiam
E brigariam, destroçando o que for que ocupasse o meio
Com a contradição no pico,
O mínimo de verdade em que nos agarramos
Tenta apartar a briga
E é, também, destroçada
Deixando todo o resto
Pó.

Quando arrancam de nós a luz que nos falta, precisamos esgueirar pelas beiradas, e apertar os olhos forçando nossos sentidos
Então crescemos.