domingo, 27 de março de 2011

Margem

De toco em toco
Encontrei meu reboco
Que sem explicação
Me estendeu a mão.
O sonho de um cego sonhador
Explica todo o universo
E toda alegria
Que não sabemos olhar
Por estar escondida onde não sabemos procurar

sexta-feira, 25 de março de 2011

Devaneios de um jovem pescador

Tradicionalmente preto, nasci como branco que desmorona o trapo e o farrapo da lua que morre sem vida, iluminada e sentida pelo eterno abandono do sol.
Caminhei pelo gigantesco deserto da mente que mente seu tamanho grotesco, suado e lavado, sem pena por ser plano, por compreender o sofrimento doce e contraditório que ilusiona o amor.
 Sinto informar tamanho descabido, porém não vejo o mundo merecedor de qualquer honestidade, e ainda me dou o trabalho de mentir.
Aprendo com a paciência da lua que espera calada o sol teimar em não deixar o dia acabar. Choro a alegria de ser água, mar, peixe... Então espero a maré baixar para somente me perguntar:
Como o escuro carece da falta de luz, ou a luz que não se permite ter um tanto de escuridão?
E distante o horizonte observava o que para ele também era o horizonte.

Mundo, mundo, vasto mundo


O grande luar me entristece
Como um dia que nunca amanhece
Por causa da saudade que a lua tem do sol.

A manhã mal amanhecida
Se da por vencida
Ao ver que o galo se pôs a cantar.

E o sol se agarra as nuvens
Para não se afogar
E afundar no olhar da lua
Que se põe a chorar.

E em todo crepúsculo
O encontro é inevitável,
O desencontro é desesperado
E o sol se lamenta a sussurrar

E nosso deus, senhor deus
Não os deixam se encostar
Não os deixam deixar de olhar
Pois se não se amassem
Deixariam de brilhar

Se não sofressem
Parariam de tentar
Subir mais e mais alto nos céus
Para poderem se enxergar.